Relacionamentos Pessoais: A Origem Das Relações Felizes e Verdadeiras

Relacionamentos Pessoais são um complexo a ser desvendado
Relacionamentos Pessoais são um complexo a ser desvendado

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Relacionamentos pessoais fazem parte de um processo inerente aos seres vivos e é um dos impulsos mais fortes e consistentes de toda a vida, pois estão atrelados aos fatores essenciais da existência.

As plantas se relacionam, as amebas se relacionam, os dragões de Comodo se relacionam, os seres vivos mais primitivos se relacionam de alguma maneira e em alguma intensidade, pois é o relacionamento o ponto fundamental da continuidade da vida.

Quanto mais evoluída for a espécie, mais complexos são os processos de relacionamento entre os seus indivíduos, pois a compreensão elabora a exigência e a evolução passa a definir critérios mais avançados de seleção.

Na maior parte das vezes, como em tudo o que possui origem em nossa essência, os relacionamentos andam à frente de nossa compreensão, pois nascem dos impulsos, dos registros genéticos e nos fazem passageiros nesta viagem.

Conhecer, entender e elaborar a maneira como os relacionamentos acontecem, tomam forma e tudo o que está envolvido nestas relações, é o caminho para manter controle e equilíbrio em todas as fases das relações humanas e com o mundo em geral.

Vamos realizar um passeio pelo que é relevante conhecer sobre os relacionamentos, reconhecer o impacto que eles possuem na vida e entender como produzir, manter e consolidar relacionamentos positivos e que sejam geradores de felicidade.

Relacionamentos pessoais e sua origem existencial:

Relacionamentos pessoais são primitivos
Relacionamentos pessoais são primitivos

Relacionamentos pessoais são uma ferramenta hereditária de evolução e base da proliferação de todas as espécies vivas, conscientes ou não.

Obviamente que os relacionamentos pessoais não se resumem à função reprodutiva, são muito mais complexos, são associativos e, desde os tempos primitivos, se relacionar é estabelecer comunidades, o que favorece a segurança, a proliferação sintonizada e o equilíbrio de interesses.

Aliás, COMUNIDADE tem uma etimologia que explica, em parte considerável, o significado real dos relacionamentos.

Comunidade nasce do termo latino communitate e sociologicamente, se refere a pessoas que vivem em grupo, num mesmo local, sob um mesmo conjunto de normas, hábitos, interesses e crenças.

Certamente a convivência entre diversas comunidades contribuiu para a evolução, quando os aprendizados de uma eram utilizados em outra e levavam ao aprimoramento social, ao menos, na maioria dos casos.

Também é lógico que as pessoas, embora iguais entre si, experimentam diferentes estágios de evolução, dadas as suas condições intelectuais, de sensibilidade, experiências, desafios e oportunidades.

É por este motivo que entendemos alguns povos como mais desenvolvidos que outros, em determinados aspectos, porque os níveis de percepção da realidade são diferentes.

Os povos, as comunidades guardam diferenças, porque são um conjunto de indivíduos, que também são diferentes, embora “teoricamente” iguais em direitos.

É neste cenário de diferenças individuais e de supostas igualdades sociais que se estabelecem os relacionamentos pessoais, que por possuírem esta origem, formam um dos mais intrigantes paradoxos sociais, que faz com que sejamos tão iguais exatamente por sermos tão diferentes.

Relacionamentos pessoais e seus complexos caminhos:

Relacionamentos pessoais são destinos com muitos caminhos
Relacionamentos pessoais são destinos com muitos caminhos

Toda e qualquer integração social propõe de certa maneira uma forma de relacionamento pessoal, independente do período de duração.

Passamos a maior parte do dia em nossos trabalhos, e por vezes não nos atentamos aos nossos relacionamentos profissionais.

Este envolve integração social de diversas pessoas com objetivos profissionais, entretanto mantendo seu caráter pessoal.

Talvez o melhor, seja entender esta vertente como relacionamento particular.

Algo mais específico, relacionado as pessoas que costumamos trazer para nossa convivência mais próxima, do cotidiano da vida, com maior profundidade nas relações e um envolvimento sentimental muito mais relevante.

É a partir deste grupo de relacionamentos que se formam as famílias e os círculos íntimos de convivência.

Ainda assim, por mais próximos que sejam, estes relacionamentos sempre estarão ligados a pessoas, que são essencialmente diferentes e isto mantém aceso o paradoxo das relações, de quanto menos te entendo, mais próximo quero estar de ti.

O ser humano aprende a partir de experiências e informações, sendo que normalmente, precisamos encostar a pele na panela quente para descobrirmos que queima e dói, ao invés de simplesmente acreditarmos no ensinamento dos mais velhos.

De outro lado, simplesmente acreditar em tudo o que os mais velhos nos orientam, tende a nos trancar o processo evolutivo.

Pois sem experimentar o novo, as descobertas não aconteceriam e, provavelmente, ainda não teríamos inventado a roda, o antibiótico, a Coca-Cola e o wi-fi.

Tudo continua sendo uma questão de equilíbrio entre a zona de conforto e a ousadia e os relacionamentos pessoais se desenvolvem passo-a-passo, na mesma forma em que a vida acontece.

Em tempo real, com algumas normas sociais básicas, que na verdade, são apenas um mapa inicial de um caminho, que todos sabem que jamais será exato como previsto no início da jornada.

Relacionamentos pessoais familiares:

Relacionamentos pessoais são a unidade básica da sociedade
Relacionamentos pessoais são a unidade básica da sociedade

Relacionamentos pessoais são os tijolos construtores das estruturas sociais e a célula fundamental de qualquer sociedade, é a família.

Bem, pelo menos ainda podemos dizer que a família é a base de sustentação da sociedade, mas também esta visão é dinâmica e já existem fortes tendências que entendem que a célula base da sociedade é o indivíduo.

Pois cada vez mais, viver solitário em algum grau ou intensidade, tem sido uma opção, ainda minoritária, mas em avanço sensível.

De qualquer maneira, os relacionamentos familiares sempre existirão de alguma forma que talvez não consigamos imaginar.

É uma característica primordial do indivíduo se associar a semelhantes e buscar parcerias íntimas para construir, em conjunto, as condições materiais e psicológicas para a existência.

Assim nascem as famílias, a partir do encontro de interesses entre 2 pessoas (por enquanto), que decidem unir ações e objetivos no sentido de caminharem juntos através da vida.

Ao menos enquanto a sintonia for maior que o desacordo e, como tudo é sempre parte de uma descoberta, de início imaginamos algo que talvez não seja exatamente daquela forma e isto provoca as separações.

Nossa abordagem está conectada aos relacionamentos pessoais e vamos conduzir nosso raciocínio na direção do que costuma dar certo para a maioria.

Relações afetivas – o casal:

Relações amorosas são as mais complexas, pois envolvem mecanismos e processos psicológicos profundos, que concentram situações de cunho existencial.

Por mais reativo que você seja à ideia, nossa razão (consciência) tem menos de 10 mil anos de evolução, contra os 50 milhões de anos de existência de nossa parte biológica.

Se fosse possível colocar estas grandezas numa linha do tempo correspondente a um dia (24 horas), nossa razão teria a idade inferior a um décimo de segundo.

Somos mamíferos, portanto, muito antes de sermos racionais e a maior parte das respostas de nossa psique está associada a este nosso lado primitivo, muito mais que ao nosso lado racional.

Por isto somos “passageiros” do trem da nossa vida na maioria das vezes e, em muitos casos, provavelmente a maioria, só compreendemos nossas respostas emocionais quando elas não são mais relevantes ou já é tarde demais para desfazer estragos relacionados a nossa impulsividade.

Depois de compreendido isto, vencidas as barreiras sérias e ideológicas sobre como as relações se estabelecem, podemos avançar na compreensão de como os relacionamentos afetivos se constroem.

Não vamos teorizar sobre a cor do papagaio e nem aprofundar perspectivas complexas de funcionamento da mente humana, apenas optamos por uma abordagem mais crua, mais atrelada à raiz humana, ao contexto primordial dos sentimentos e a forma como eles definem nossos relacionamentos.

Relacionamentos pessoais – Donos de si mesmos:

Relacionamentos pessoais não possuem certificado de propriedade
Relacionamentos pessoais não possuem certificado de propriedade

Relacionamentos costumam ser feitos de altos e baixos e estas oscilações estão relacionadas às nossas variações individuais.

Mas existem alguns conceitos que, normalmente, são ignorados e causam não apenas a maioria dos problemas, mas também os mais graves.

O primeiro conceito esquecido quando se estabelecem as relações é exatamente a INDIVIDUALIDADE.

Somos seres individuais, antes de sermos sociais e deixamos de respeitar isto na primeira paixão que aparece.

Biologicamente competimos desde que somos espermatozoides na corrida pelo óvulo.

Muito antes de sermos racionais, a seleção de nossos pares era realizada pelo nosso potencial biológico de prover sustento, segurança, conforto e um bom perfil reprodutivo.

É possível ter uma ideia bem aproximada ao observar como se comportam os outros mamíferos, na forma como os pares se formam, pois isto é parte de nossa essência primitiva.

Quando encontramos uma paixão, pisamos em cima desta realidade e esquecemos de nós mesmos.

Estabelecer um relacionamento com a pessoa amada é mais do que ter uma companhia ou reproduzir, é uma realização de nosso espírito de competitividade, na forma de uma verdadeira conquista.

Se somos deixados de lado, na escolha por outro concorrente, nossa sensação de perda é muito maior que o fato em si.

Pois nossas profundezas primitivas percebem a situação como uma derrota existencial, uma rejeição da própria vida aos nossos interesses, um fracasso.

É por isto que nos agarramos feito viciados nas nossas paixões.

Por falar em viciados, é bom se acostumar com esta perspectiva, pois estudos de diversas origens apontam que o processo de paixão acontece e prospera exatamente na mesma parte do cérebro que responde às drogas, aos vícios e, mais ainda, às dependências.

Pode apostar, amor é um vício e assim funciona na mente humana, tendo todos os mecanismos do vício em drogas, desde a dependência até a abstinência.

Encontrar a pessoa amada tem efeito similar ao consumo de uma dose.

Relacionamentos pessoais são holdings de empresas humanas:

Relacionamentos pessoais são sociedades de si mesmos
Relacionamentos pessoais são sociedades de si mesmos

Relacionamentos precisam ser vistos de forma mais prática e menos lúdica, embora isto seja humanamente difícil, em termos práticos, é exatamente assim que funciona.

Vamos a um exemplo claro e irrefutável disto…

A EMPRESA “EU”:

Imagine que EU seja uma empresa, que foi fundada há 30 anos atrás, que tenha suas especialidades, características, especificações, manias, preferências, qualidades, defeitos, diferenciais, vantagens e desvantagens.

Uma história inteira construída através do tempo, com suas cicatrizes e seus troféus, conquistados independentemente de VOCÊ.

A EMPRESA “VOCÊ”:

Agora imagine que VOCÊ também é uma empresa, que foi inaugurada há 28 anos atrás, que possui suas próprias e únicas características, personalidade, qualidades, defeitos, diferenciais, vantagens e desvantagens.

Tudo o que uma empresa “normal” possui, de forma altamente personalizada, pois tudo foi construído através do tempo, de sua história, independente de qualquer outro indivíduo.

A EMPRESA “NÓS”:

Agora imagine que, por alguma circunstância que não cabe se aprofundar aqui, a empresa EU encontra a empresa VOCÊ e decidem formar uma joint venture, visando uma trajetória conjunta.

De forma a enfrentar, juntos, os desafios da vida, o que aparentemente é mais inteligente, pois a união dos 2 tende a estabelecer maior força e potencial às duas empresas.

As empresas EU e VOCÊ, inauguram um novo negócio, chamado de empresa NÓS.

Relacionamentos pessoais – Onde tudo costuma dar errado:

A personalidade se anula quando deixamos de existir como indivíduo
Relacionamentos pessoais sucumbem diante do esquecimento do indivíduo

Depois de fundada, a empresa NÓS é um objetivo de sucesso das duas associadas, tanto a empresa EU, como a empresa VOCÊ, desejam sinceramente que aquilo dê certo e proporcione “lucros” e “dividendos” atraentes para todos os envolvidos, construindo uma história vencedora.

A empresa EU e a empresa VOCÊ investem recursos, esforços, tempo, dedicação e motivação para que a empresa NÓS dê resultados, supere as dificuldades e avance em direção ao sucesso.

É exatamente neste ponto em que a primeira e mais importante confusão acontece e, normalmente, as uniões fracassam…

Ao formar a empresa NÓS, as duas sócias, tanto a empresa EU quanto a empresa VOCÊ, esquecem de sua história, de suas particularidades, de sua individualidade, de sua personalidade, de suas manias, de seus prazeres, de seus desgostos e começam a provocar alterações pessoais agressivas, tudo para manter viva a empresa NÓS.

As pessoas esquecem que antes de ser NÓS, as relações são feitas por EU e VOCÊ, seres únicos, individuais, que toleram a adaptação, mas até certo ponto.

Pois além destes limites, a flexibilidade se confunde com sacrifício, e muitas vezes, nem a empresa EU, nem a empresa VOCÊ, ou os dois juntos, estão prontos para renunciar a si mesmos em prol de uma empresa NÓS.

Que, no final das contas, começa a ser vista mais como um problema do que como uma solução.

A solução para os relacionamentos pessoais:

Relacionamentos pessoais podem dar muito certo
Relacionamentos pessoais podem dar muito certo

Relacionamentos pessoais só irão prosperar a partir do momento em que as pessoas entenderem esta situação óbvia, por mais bruta e grotesca que possa parecer.

No fundo e ao cabo, romantismo é molho, o essencial para os relacionamentos bem sucedidos é o RESPEITO, não apenas pelo outro (que é fundamental e óbvio), mas por si mesmo.

Acima de tudo, protegendo seu espaço individual e mantendo guardadas as suas posses pessoais, não as materiais, mas aquelas que têm a ver com as cicatrizes e os troféus.

Relacionamentos bem-sucedidos são aqueles que possuem espaço, trânsito livre de uma relação verdadeira, sem amarras, sem cobranças e, sobretudo, sem senso de propriedade, pois ninguém é propriedade de ninguém.

Se você é daqueles que enchem a boca para falar que ela é “MINHA MULHER” ou ele é “MEU MARIDO”, então sua vida a 2 só pode ser miserável ou uma mentira, pois alguma das partes, ou as duas, vivem de renúncias a si mesmos, para manter existente uma relação nociva e depressiva.

O senso de propriedade é o responsável pelas agressões, assassinatos passionais, frustrações e depressão oriunda de relacionamentos fracassados.

Relacionamentos pessoais, como tudo na vida, são escolhas e suas consequências:

Como tudo na vida, a felicidade dos relacionamentos pessoais está atrelada às nossas escolhas
Relacionamentos pessoais são resultado das melhores escolhas

Relacionamentos só serão sucesso se as partes envolvidas forem bem resolvidas, pois é óbvio que uma união de doentes resultará em mais doença e com muito maior intensidade.

Não deixe a carapuça servir, até porque, se fosse por isto, precisaríamos de uma carapuça para cada habitante do planeta, pois em essência, todos nós somos doentes de algo e em alguma intensidade.

O sucesso dos relacionamentos pessoais está, portanto, na compreensão de como ele funciona, as formas como ele se apresenta.

Os elementos que estão envolvidos numa relação, a forma como os processos humanos acontecem dentro de cada um de nós e, sobretudo, o reconhecimento de nossa condição humana.

Antes de buscar um relacionamento saudável, procure cuidar da sua integridade psicológica, sua saúde, seu amor próprio, sua autoestima, sua confiança, para depois pensar em processos duradouros.

Certamente você deve estar pensando que precisaria fazer terapia então, antes de arrumar alguém…

A resposta é SIM e NÃO…

Você precisa se conhecer e entender seu funcionamento, independente dos relacionamentos pessoais que estabeleça.

O que não significa que você não possa ir fazendo “test drivers” por aí, de relacionamentos pessoais em sua trajetória.

O fundamental é compreender como as coisas funcionam nos relacionamentos pessoais.

Como estas relações se estruturam e como as pessoas costumam agir e reagir nos intrincados processos envolvidos nos relacionamentos pessoais.

Como respondem ao ciúme, à perda, à ausência, ao desejo, a tudo o que parece criar um buraco no peito quando acontece e qual o potencial de compreender que, por mais que isto seja doloroso, ainda assim, é seu.

Se a solução desta sensação passar pelo ferimento da individualidade do outro, então é só questão de tempo para as paredes de seu relacionamento pessoal ruírem e tudo acabar, talvez até em tragédia.

Seja feliz com você mesmo antes de procurar ser feliz com alguém.

Cuide para que a empresa EU sempre esteja sólida, tanto para poder se juntar à empresa VOCÊ e fundar a empresa NÓS, com boas chances de sucesso, quanto para ter onde voltar, caso a tentativa seja frustrada.

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